O Puerpério

 

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Lembram de todo aquele medo que eu senti ao dar entrada na maternidade? Então, não vou dizer que foi totalmente descabido, mas pelo menos mal colocado. O parto, na realidade e na minha experiência, não inspira medo. Já o puerpério… aí é outra história.
Para começar, o pós parto de uma cesariana é MUITO doloroso e debilitante. O local da incisão incomoda muito, dói para valer! Várias vezes sentia como se o corte estivesse em chamas de tanto que ardia. Ainda que eu estivesse focada apenas na minha recuperação, teriam sido dias difíceis. Imagine então quando todas as minhas forças e toda a minha atenção estavam canalizadas para aquela pessoinha que tinha acabado de nascer.
Eu tive uma experiência de puerpério muito difícil e acho que isso se deu em grande parte porque estive muito tempo só. Pra já que Bruno não pôde entrar na sala de parto comigo e isso me deixou muito fragilizada. Saindo da cirurgia também fiquei um tempo sozinha porque fui para a sala de recuperação (recobro) e é política da maternidade que os pais/acompanhantes não devem ficar conosco lá. Confesso que aqui dei sorte porque como estava sozinha da sala de recobro, as enfermeiras deixaram o Bruno entrar para me ver por uns 10 minutinhos. Só que saí de lá direto para o quarto, já as 21 horas, ou seja, fora do horário de visita. Como fiquei em quarto duplo, mais uma vez os pais/acompanhantes não podiam ficar para além do horário de visita e eu passei as noites sozinha.
Na primeira noite, logo que cheguei no quarto, a enfermeira veio ter comigo, colocou o Augusto na cama ao meu lado e, já de saída, orientou-me a não fazer muito esforço, não levantar-me, não me curvar nem levantar peso. Só que como é que se segue esta orientação sozinha com um bebê recém-nascido? Claro que não se segue. Tive que me levantar, que carregar a mala para perto da cama e me curvar cada vez que trocava a fralda de Augusto. Aliás, uma confissão: não fui eu quem trocou a primeira fralda dele, foi a mamãe com quem eu estava dividindo quarto. Ela era mãe de segunda viagem e tinha tido um parto normal 2 dias antes então já estava em condições muito melhores que a minha. Ao ver meu sofrimento – a dor no local da incisão já era muito forte – ela se compadeceu e me ofereceu ajuda.
Os dias não eram tão difíceis porque Bruno ficava comigo das 11 da manhã às 19, mas com o cair da tarde batia mais uma vez aquele desespero de quem vai ficar só para a missão mais difícil da vida.
A segunda noite foi a mais difícil de todas porque Augusto não estava fazendo xixi como esperado e até eu descobrir por que, foram momentos de muita angústia. Uma vez esclarecido o motivo do pouco xixi, vieram momentos de muito cansaço.
O problema foi que ele nasceu muito dorminhoco e não comia tanto quanto precisava, então não fazia xixi. Só que quando chegaram a esta conclusão, levaram-no do quarto dizendo que fariam exames no meu filho e, ao cabo, deram- lhe leite de fórmula(!!!), sem me consultar. Tá que depois disso ele fez xixi, mas ainda assim acho que foi desnecessário darem-lhe fórmula. Para evitar que isto voltasse a acontecer, extraí manualmente todo o leite que pude para ele tomar entre as mamadas. E aí, dormir que é bom, NADA! Isso para nem falar do DESESPERO que me deu quando disseram que ele não estava a fazer xixi, eu me debulhei em lágrimas.
Aliás, deixa eu dizer que o medo de que algo estivesse errado com o pequeno foi o sentimento preponderante durante estes três dias de puerpério. Insegurança batendo no limite! Era muito angustiante estar sozinha, sem saber exatamente o que fazer, sentindo todo o peso da responsabilidade de cuidar daquele ser humaninho. Foi sem dúvida a coisa mais importante e mais difícil que eu já fiz na vida!
Mas eis que, entre trancos e barrancos, embalada nas minhas próprias (e muitas) lágrima, os três dias se passaram e nós voltamos para casa. Deu-se início a vida a três!

 

Esq. Pulseirinha e cartão de identificação na maternidade. Guardei para colocar no livrinho dele.

Dir. As lembrancinhas da maternidade. A maioria foi entregue já em casa, onde eu recebi quase todas as visitas. Por tudo que acabei de contar, acabei encorajando as pessoas a virem nos ver em casa em vez de no hospital.

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